Jilvania Lima

EDUCAÇÃO MILAGROSA 2: cautela no ensinar

CAUTELA NO ENSINAR ... Quem é professor, geralmente é incapaz de ainda fazer algo para o próprio bem, está sempre pensando no bem de seus alunos, e cada conhecimento só o alegra na medida em que pode ensiná-lo. Acaba por considerar-se uma via de passagem para o saber, um simples meio, de modo que perde a seriedade para consigo (NIETZSCHE, 2000,p. 137-38). É por isso que, em geral, o professor que assim age, trabalha sempre triste e irritado, porque pensa sempre no que pode ensinar para os outros... e se frustra quando o que ele ensinou o outro não aprendeu. Além disso, na sua ingenuidade, o professor pensa que dominando e transmitindo conhecimentos específicos, construídos ao longo da história, fará dele um veículo indispensável para se alcançar a sabedoria, e só este fato — do professor considerar-se e/ou sentir-se uma espécie de semideus —, já é bastante para fazê-lo perder-se de si mesmo. Ora, qualquer descrição ou explicação desses conhecimentos institucionalizados (produzidos pelo homem através da história) é, operacionalmente, secundária a práxis do viver, apesar de que tanto as explicações quanto as descrições também ocorrem na práxis do viver tanto do professor quanto do aluno, e é claro, que as explicações e as descrições são desnecessárias para a práxis do viver desses seres humanos, mesmo porque a práxis do viver é dinâmica, logo o conhecimento institucionalizado fica velho, enferrujado e não corresponde a realidade da práxis do viver. Todos nós, seres humanos — professor e aluno — operamos como observadores, isto é, fazemos distinções na linguagem. E se nos pedem para explicarmos o que fazemos, habitualmente dizemos que, em nosso discurso, denotamos ou conotamos, com nossos argumentos, entidades que existem independentemente de nós ou, se aceitamos que o que distinguimos depende do que fazemos, nós operamos sob a aceitação implícita de que, como observadores, somos dotados de racionalidade, e que isso não precisa ou não pode ser explicado. Descobrimos, desse modo, que nossa experiência é a de nos encontrarmos observando, falando ou agindo, e que qualquer explicação ou descrição do que fazemos é secundária à nossa experiência de nos encontrarmos fazendo o que fazemos. Com efeito, o que quer que nos aconteça, acontece-nos como uma experiência que vivemos como tendo surgido do nada (MATURANA, 1997, p. 245). Essa perspectiva da experiência enquanto fenômeno do aqui-agora-presente tendo como fundante o nada — abissal, perplexivo, aberto, dinâmico, latente — é radical! Já que a sensação não é confortante, pois é estar diante do vazio aberto a múltiplas possibilidades do acontecimento-presente. Assim, não se ensinará mais, mas aprender-se-á junto-com-outros: lendo, escrevendo, pintando, brincando, fazendo, refazendo ... observando ... Buscamos uma educação/uma escola lúdica, cheia de vida, de acontecimentos múltiplos, onde o ensinar seja o favorecer o aprender (agenciar, não comandar, não direcionar); onde o educador e o educando sejam humanos e que se envolvam nas “tarefas escolares” com toda sua emoção e sua inteligência humanas; e que cada um interaja com o outro de acordo com a configuração de ações que define a práxis escolar e que, todas as ações que não pertençam a esta configuração fiquem fora do universo escolar, de tal modo que todos se realizem como seres humanos inteiros — inteligentes, sensíveis e compreensíveis. Referências bibliográficas MATURANA, Humberto. A ontologia da realidade./ trad. e org. Cristina Magno, Miriam Graciano e Nelson Vaz. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1997. NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Humano, demasiado humano: um livro para espíritos livres. / trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

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serpa
serpa@ufba.br

costumo dizer que desde épocas imemoriais o ser humano vive a tensão infinito-finito, na identidade da relação e na diferença no diferente dos polos da mesma relação. seu texto tem subjacente essa tensão.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Felippe, nesse sentido, podemos compreender, nitidamente, feito água cristalina, que somos iguais nesse plano de possibilidades (no plano infinito)e, simultaneamente, somos todos diferentes no plano do real (no plano finito - mensurável? (!). Sonho com um mundo assim: igual no plano de relação... de possibilidades latentes... sonho com escolas assim: plurais, diversais, porque singulares... sonho...: com estes planos distintos que está, em potência, em cada um de nós...

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Kleber Lopes
kllleber@hotmail.com

Jilvânia, o seu texto me agradou muito, e prentendo, aqui no rascunho, expressar alguns sentimentos sobre o "nada", também tocado por você. Acredito que ele, o nada, fornece a condição espacial da temporalidade naqueles que se vinculam ao processo educacional enquanto tal.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Kleber, o NADA é o plano das possibilidades... do infinito, da letência... nele, tudo é tudo que é nada, isto é, possível. É o campo das possibilidades. Daí, somos múltiplos, plurais, diferentes da diferença do acontecimento-instante. Isto é, somos nós e o avesso de nós, simultaneamente...

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Kleber
lopeskleber@ig.com.br

Jilvânia, cuidado com o "É". Pode ser também uma "prova".

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rozane
marivaldo@faced.ufba.br

Acho engraçado como se referem ao NADA. Não consigo pensar no NADA com tanta intimidade. Aliás, acho-o meio estranho. Quando penso no NADA, tudo pode ser possivel, e o sentido que demos as coisas, há tanto tempo se perde em segundos (acabo ficando com medo!). Em nossa sociedade,esse NADA não é NADA bem vindo...

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Vera Trindade
veratryndady@bol.com.br

Vejam o que vocês fizeram comigo: Educar... É escrever a vida no infinitivo É um caminho longo a perder de vistas Onde passam córregos E se erguem pontes. É um vôo rasante Sem apertar os cintos Cujo piloto jamais será automático. É pensar que pode atingir o infinito Quando tudo parece acabdo. É costurar idéias É trocar calor Para que no frio Todos se aqueçam. Educar... É mais que saber É apalpar o invisível É regar o deserto com um conta-gotas Sem se preocupar Com quantos pingos molhar o chão Com quantos deles o vento irá levar. É trazer a lenha Sem usar o machado É ascender na vida Quem perdeu a chama. Educar... É pongar no vôo de Saint Exupéry Roubar a leveza do Pequeno Príncipe E fazer da raposa O seu cão mais fiel. Educar... É um eterno buscar. Vera Trindade

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Vera, seja bem-vinda. Que maravilhoso seu texto. Parabéns. Kleber, Rozane, Serpa e eu estamos felizes de tê-la conosco. Bem-vinda... Sua chegada (re)vela muito do que possa ser uma Educação Milagrosa..., de repente, a partir do seu texto, compreendi esse NADA, esse universo virtual latente em potência infinita... o que precisamos nós? Acolher, sempre: viver... a-colhendo... plantando... vivendo.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Kleber, o -É como "prova"? Como assim? Não o compreendi.......... Rozane, às vezes, o fato de termos "intimidade", certamente aparente, não quer dizer que não tenhamos "medo". Tenho muito medo de saber que todas as possibilidades, isto é, o paradoxo reside em mim (e em todos nós, os homens, que se dizem humanos), enquanto deus-e-diabo, como metáfora para as possibilidades... Assusto-me quando vejo precipitado no plano do real (do finito), por exemplo, uma família que preparou 'seios amputados', catados no lixo, para saciar a fome... fico perplexa comigo mesma, como consigo me alimentar todos os dias, tendo consciência que muitos de nossos irmãos em todo o planeta morrem de fome, são violentados, mortos, assasinados, agredidos, explorados... enfim, me assusto em ser "íntima" desse NADA. Acho que é isso que gostaria de ter dito. Talvez não. Vamos continuar... quem sabe (des)cobrimos, juntos: Rozane-Kleber-Vera-Serpa-eu-e-quemmaischegar.

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

Na verdade gosto quando falam do Nada, e esse nada que me refiro, é a abertura para romper com o TUDO. ainda não consigo isso com tanta naturalidade... O nada que penso é dar chance à outras possibilidades. E isso (mesmo que legal) é estranho...porque é legal.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Legal, Rozane... continuemos...

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Tico
ticoserpa@yahoo.com.br

Sobre seu texto, Jilvânia, sinto que não somente o professor, mas também o estudante alimenta esse sentimento do querer-ensinar, do querer-professar, a ponto de que quando se tenta algo nesse entre-lugar, flagramos afirmações do tipo ''ah, mas aquele professor não deu NADA''. Aí eu abordo a questão do NADA - tão dito por todos! PROVOCAÇÃO: A sensação engraçada que eu tenho é de que ao falarmos sobre o nada, buscando inclusive explicá-lo, estamos transformando o NADA numa precipitação singular e, por conseguinte, abrindo a possibilidade de infinitas interpretações por parte de quem lê. Quando essa nossa ''explicação'' ressoa, acolhemos como A EXPLICAÇÃO sobre o NADA (que já não mais seria TUDO). Por isso, prefiro silenciar sobre esse NADA, tão misterioso e atraente... PS.: De qualquer forma, já precipitei algo sobre ele, não é mesmo?

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Tico
ticoserpa@yahoo.com.br

Sobre seu texto, Jilvânia, sinto que não somente o professor, mas também o estudante alimenta esse sentimento do querer-ensinar, do querer-professar, a ponto de que quando se tenta algo nesse entre-lugar, flagramos afirmações do tipo ''ah, mas aquele professor não deu NADA''. Aí eu abordo a questão do NADA - tão dito por todos! PROVOCAÇÃO: A sensação engraçada que eu tenho é de que ao falarmos sobre o nada, buscando inclusive explicá-lo, estamos transformando o NADA numa precipitação singular e, por conseguinte, abrindo a possibilidade de infinitas interpretações por parte de quem lê. Quando essa nossa ''explicação'' ressoa, acolhemos como A EXPLICAÇÃO sobre o NADA (que já não mais seria TUDO). Por isso, prefiro silenciar sobre esse NADA, tão misterioso e atraente... PS.: De qualquer forma, já precipitei algo sobre ele, não é mesmo?

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

Ih!!! tico, vc tem razão!!! Talvez o NADA não deva ser conceituado, mas vivido! (ops!acabei de conceituá-lo!!!)

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Kleber Lopes
lopeskleber@ig.com.br

Conceito libertário Rozane. Com ele o nada permanece o que precisa ser: nada. O nada, como você disse, para vivermos, livres em nós-mesmos-no-mundo. Forte abraço à todos.

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Kleber Lopes
lopeskleber@ig.com.br

Conceito libertário Rozane. Com ele o nada permanece o que precisa ser: nada. O nada, como você disse, para vivermos, livres em nós-mesmos-no-mundo. Forte abraço à todos.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

O NADA... poema... rio... fluxo... liberdade... palavrasepalavreados-palavreantes... sempre... palavras... Estou adorandooooooo, amandoooooo, sentindo um prazer inefável... inaudito... indizível de poder estar aqui com vocês partilhando/ estando neste NADA... beijos a todos...continuemos a dançar/cantar/ouvir/palavrear no NADA, com NADA, para NADA, sobre NADA... só(is)nuNada...

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Patrícia Mello
mello2@hotmail.com

Ensinar: arte criativa do nada fazer e tudo fazer: criação na-com-da Vida Abundante. Ensinar: proporcionar ambientes para o florescimento da bondade humana. Podemos ser bons. Queremos?

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

Seja Bem - vinda!!! ( aprendi esses bons modos digitais com Jilvania!) o que queria dizer com "Bondade" e Educação , Patrícia? Fiquei pensando no que escreveu... e gostaria de expressar o meu ponto de vista, sobre o que a bondade, representa para mim. Acho que queremos ser bons... mas acho que queremos também o direito de ser maus! às vezes o que é só bondade nos faz tão mal. E muitas vezes o que é só maldade nos faz bem. o que é ser bom? O que é ser mau?

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Patrícia Mello
mello2@hotmail.com

Obrigada amiga. Fiquei com os "meus botões" refletindo sobre o que você escreveu. Fiquei muito feliz quando li: "Acho que queremos ser bons..." Porém, ficamos (meu botões e eu)pensando, horas a fio, com o que você escreveu em seguida, contrapondo a sua idéia anterior: "acho que queremos também o direito de ser maus!" Disso, ficamos pensando no MUNDO INTEIRO e chegamos a uma conclusão: na verdade, não precisamos ter o DIREITO de sermos maus, porque já somos. Você já viu alguém sendo ridicularizado em público por que fez uma maldade? Eu nunca vi. Em geral essa pessoa é respeitada pelo grito, ou melhor, pelo medo/pavor que causa as outras. Por outro lado, já presenciamos (meus botões e eu), inúmeras vezes, seres humanos sendo ridicularizados só pelo fato de estarem sendo bons. Vamos pensar juntos. Que tal se a ordem fosse inversa? Somos maus. Ok. Mas, temos o direito de sermos bons. Também ficamos horas a fio pensando nisso: "Às vezes, o que é só bondade nos faz tão mal. E muitas vezes o que é só maldade nos faz bem". Não concluimos nada... vamos pensar juntos (meus botões, os seus, você e eu... e quem mais chegar/quiser). Um abraço.

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Tico
ticoserpa@yahoo.com.br

Rozane e Patrícia, me respondam: O que é maldade/bondade? Seria bom um índio antropófago? Seria bondade alguém não dar uma moeda de dez centavos para um pedinte por que ele é sadio e não trabalha? Seria maldade alguém roubar um mercadinho por que precisa dar de comer aos seus filhos? Seria bondade um banco interferir na economia de outro para emprestar um dinheiro visando cobrir um provável rombo? Seria maldade...? Seria bondade...? De fato existe essa dicotomia? Isso não estaria ligado aos valores dos grupos humanos?

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

Gostei de ouvir vc e sesus botões! Mas, quando falo, contrapondo a idéia de queremos ser bons, me refiro a uma bondade imposta... Só que nós somos bons e Maus. Tristes e felizes. Contentes e descontes. bem humorados e mal humorados. Somos tudo, e podemos ser tudo! Não dá pra direcionar uma eterna bondade, porque não sabemos quem seremos amanhã. Não somos perfeitos. mas, isso não quer dizer maldade. quer dizer, mudanças, transformações, novas possibilidades de relação com o mundo. O meio termo existe. E nós, o mundo, somos o meio termo... por mais que queiramos atingir um pólo. Essa busca ao positivo e negativo negam a nossa maiores riqueza: viver. quando digo que queremos ser maus, penso na liberdade de escolha... E quando questiono a bondade, penso nessa bondade criada na nossa sociedade, uma bondade individualista e solidária ao mesmo tempo. Uma bondade só bondade. Somos bons e ruins, também! Por que somos gente! Por que pensamos, criamos, amamos, odiamos, destruimos, construimos!!! E precisamos amar, odiar, construir, e destruir... porque somos gente!

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

Tico. Valores humanos... Bondade, maldade... Amor... solidariedade... talvez eu esteja meio decepcionada com os discursos sobre a potencialização das características positivas do "outro"... E as minhas características positivas e negativas? será que penso nelas? Percebo que já gastei um grande tempo querendo me tornar perfeita, e achar que tinha o direito de tornar o outro perfeito... quando descobri que as pessoas são iguais porque são diferentes, me senti melhor, normal e igual... tomando os exemplos que vc deu acima, pensei outras coisas... pensei na violência, na pobreza... pensei: únicos e isolados atos, nos dão o direito de definirmos quem é bom e quem é mal? Precisamos definir isso mesmo? Pra quê? será que alguém consegue ser 100% ruindade?ou bondade? muitos beijos!

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Patrícia Mello
mello2@hotmail.com

Tico e Rozane, sinto-me incapaz de não concordar com o que vocês colocaram. Mas, por outro lado, quando falo em uma educação (milagrosa) para o florescimento da bondade estou pensando em uma civilização planetária, que estamos compartilhando todos os milésimos de segundos no nosso cotidiano, vejo na TV, leio nos jornais/revistas, vejo no meu trabalho, nas sinaleiras, nos bairros periféricos de Salvador. Para mim, por exemplo, a figura de um índio antropófago é abstrata. Talvez, somente eles pudessem chegar a conclusão de afirmar/negar se isso se constitui bondade ou maldade. Nesse sentido, Tico, concordo contigo quando você afirma que "Isso estaria ligado aos valores dos grupos humanos". Mas, valores mudam, a partir das mudanças de atitude dos homens. Um dia desses matávamos e comíamos a carne humana para celebrar o Divino, depois substituímos a carne humana por animal, mais recentemente se tem mudado para frutas, danças... enfim outras formas de não agressão à vida. Agora, quanto ao fato de dar ou não uma moeda de dez centavos para um pedinte por que ele é sadio e não trabalha, e roubar um mercadinho por que precisa dar de comer aos seus filhos, e interferir na economia de outro para emprestar um dinheiro visando cobrir um provável rombo, e... penso que poderíamos estar em situações melhores se não existissem tantas desigualdades. Será que as pessoas se sentem felizes mendigando, humilhando-se? Na verdade, penso que essas ações são de maldade, mas não cometida por uma pessoa isolada: estamos todos comprometidos. Estamos e somos cada maldade que é cometida contra a vida. Agora, acho muito poético afirmar "somos diferentes, por isso iguais". E daí o que fazemos com isso? E "estamos aprendendo a conviver com os paradoxos" etc e tal. E daí? Acho que se não existisse, por exemplo, desrespeito as formas variadas de vida e cuidado com essas formas, teríamos um mundo muito melhor e, certamente, a bondade floresceria nos nossos corações, aliás no corpo todo, nas nossas atitudes... O fato é que não somos tão inocentes como acreditávamos. Somos maus e perversos sim. Precisamos de espaços para o exercício da bondade. (Por favor, não paremos por aqui. Continuemos a conversar. Preciso ouvi-los mais e mais sobre isso e também sobre muitas outras coisas). TALVEZ EU TENHA FALADO DEMAIS. Desculpe-me é que não aprendi a ver beleza e bondade em, por exemplo, crianças nas sinaleiras, mães e pais de família, jovens pedindo esmolas... desculpe-me.

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

Acho que ninguém consegue achar bonita a miséria. "nem" a escola nos ensinou a apreciar o sofrimento... Todos sofremos e fazemos sofrer.

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Patrícia Mello
mello2@hotmail.com

Rozane, como apreciar o sofrimento?

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Rozane
ro.art@zipmail.com.br

Não sei.

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rozane
ro.artzipmail.com.br

não disse que o aprecio... não disse que sei apreciar... nem que a escola deva nos ensinar isso.

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Patrícia Mello
mello2@hotmail.com

Rozane, eu sei que você sabe. Eu é que não sei. Aliás, nada sei. Juro. Mas, só fiquei pensando no que você escreveu: " "nem" a escola nos ensinou a apreciar o sofrimento..." Desculpe-me pela minha ignorância. desculpe-me por não tê-la compreendido. Queria muito compreendê-la. Sinto muito. Mas, continuemos. Se não é possível apreciarmos o sofrimento, o que fazemos com ele?

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

como assim nada sabe???? não sabe nada????!!! como assim Eu que sei? Só Eu, sei?!!! que radicalismo é esse ? que quis dizer com isso? eu sei e não sei como Vc... Como não sabe nada, se diz que sabe que eu sei??? Me compreender? pra quê? concluir? pra quê? vamos conversar, debater, mudar de idéia, não mudar, nos calar... sei lá!!! se sente mesmo ignorante? tem certeza disso? que pena!!! ignorante por que não entende o que digo? tem obrigação de entender tudo? como acha que vai conseguir entender tudo? pra quê entender tudo?se encontrar a fórmula, me ensina, tá? um abraço

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ROSÂNGELA
MRTCPEDAGOGIA@BOL.COM.BR

SEU TEXTO FOI MUITO INTERESSANTE E CONTRIBUIU MUITO COM A REDE ACADÊMICA DA U.F.P.E. DE RECIFE VC. É COERENTE NO QUE ESCREVE E UMA BOA PESQUISADORA. PARABÉNS.

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ROSÂNGELA
MRTCPEDAGOGIA@BOL.COM.BR

SEU TEXTO FOI MUITO INTERESSANTE E CONTRIBUIU MUITO COM A REDE ACADÊMICA DA U.F.P.E. DE RECIFE VC. É COERENTE NO QUE ESCREVE E UMA BOA PESQUISADORA. PARABÉNS.

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ROSÂNGELA
MRTCPEDAGOGIA@BOL.COM.BR

SEU TEXTO FOI MUITO INTERESSANTE E CONTRIBUIU MUITO COM A REDE ACADÊMICA DA U.F.P.E. DE RECIFE VC. É COERENTE NO QUE ESCREVE E UMA BOA PESQUISADORA. PARABÉNS.

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rozane
ro.art@zipmail.com.br

jilvania!? cade vc? já leu o comentário acima???

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Rosângela, Patrícia, Rozane (uma das minhas poliálogas favoritas)e todos... Rindo... Obrigada. Agradecer é celebrar a vida. Estou celebrando com vocês... Um grande abraço a todos. Continuemos nosso poliálogo.

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lilian

Parabéns pelo belo texto

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Lilian, obrigada amiga.

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Albert - Um caboclo querendo ser inglês
albertoalga@hotmail.com

Olá caros colegas!!! Os desconfortos semestrais, não me permitiram dar-lhes a atenção devida.Entretranto "estoy" de volta, mais bonito,fofo, desfrutavel ao paladar das mulheres evidentemente... Ah!!!Quanto a indignação!!Sim!!!também indignei-me a algum tempo atras, quando passeava com meu "velho"num antigo OPALA PANTERA 73.E vi sim , garotos da mesma idade que eu, nas ruas, tentando convencer meu pai de seus serviços. O interessante é que der certa forma, na minha cabeça de criança, eu os temia; não por serem pobres, ou por viverem um pouco diferente de mim,mas sim, porque de certa forma sentia que eram mais "fortes"do que eu. Admirava-lhes a coragem, ainda admiro. Para esta classe de sobreviventes,como podemos perceber a simples vista,nada mudou.Nem a nossa indignação mudou, só a ignição e o cambio dos automovéis muduram!!!...E vc mudou? Epilogogicamente falando: indignos são aqueles que alimentam a desigualdade social, indignos somos nós, que nos encontramos aqui na universidade, "sustentados" pelo dinheiro do contribuinte, recebendo instruções da academia,e que muitas vezes não retribuimos de forma efetiva para a diminuição dessas diferenças. Portanto, Faça um BRASIL DECENTE, DEFERENTE, VOTE LULA PRESIDENTE!!! Abraços UNI-LULAterais

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Maravilha!!!É festa, É festa!!! Albert querendo ser ingrês..., Viva Albertinho, lindo e fofinho... Risos... brincadeirinha Alberto... sabia que eu senti sua falta? É verdade. Agora que você chegou, não vai embora tão rápido não. Ok? Fique mais um pouco.(sei que é difícil "sentir" o grau de minha sinceridade aqui. mas, acredite e dê-nos o prazer de sua companhia) By the way, concordo com tudo tudo que você escreveu, assumo incrusive as vírgulas, os pontos e, principalmente, o voto. Um abraço.

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Alberto
albertoalga@hotmail.com

Rapaz!!O que é isso?! Sô tão querido assim é?BIGADUUUUUU!!!! Agora se querem saber realmente sobre um dos meus pensamentos...vejamos: http://www.tianoca.hpg.ig.com.br/index.htm sítio do curso de ARQUIVOlogia da UFBA Eis ai, minha pequena contribuição para a Educação Milagrosa.

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Jilvania Lima
jlimas@uol.com.br

Obrigada Alberto. Estarei indo lá.

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Raposo Alves
raposo.alves@netvisao.pt

O seu texto é lindo e profundo. Penso utilizá-lo como introdução a um trabalho de estágio. Os meus parabéns.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Raposo Alves, seja bem-vindo, e muitíssimo obrigada. Sucesso no seu trabalho. A prpósito, conte-nos um pouco sobre ele. Um abraço. Jilvania

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Maria Luiza Matte
malumatte@terra.com.br

Achei o texto muito bom, mas acho que deveria ter exclarecido o que o autor entende por práxis escolar, uma vez que encontramos educadores que usam o termo mas não sabem exatamente o que ele significa.

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Maria Luiza, fico feliz pela sua apreciação. Primeiro, pela acolhida e, segundo, pela possibilidade de início de um diálogo... profícuo, enriquecido e enriquecedor em torno dos sentidos polilógicos do-quê da PRÁXIS ESCOLAR. Para isso, conto com sua compreensão de sentidos. Qual o seu entendimento em torno dessa problemática? Um abraço fraterno. Jil

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Jair Junior
j.ninho@click21.com.br

Jilvania, seus textos (educação milagrosa e educação milagrosa 2) são bem legais. sobre o nada, vejo-o como o ponto de partida, o grande motivador e o principal ingrediente para ter e permanecer com o desejo de ensinar e, principalmente, aprender.

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Julia Chau
juliachau@bol.com.br

"Conviver e aprender com os alunos, é sentir-se satisfeito com a vida e vivenciar momentos inesquecíveis. Brincar, ensinar, se envolver com o lúdico, faz de nós professores verdadeiros seres humanos". Seu texto é maravilhoso! Sua aluna Julia Chau/ FJA

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Jilvania Lima
jlimas@faced.ufba.br

Queridos, Jair Junior e Júlia Chau, obrigada por vocês existirem na vida de muitos seres humanos que precisam de vocês: os estudantes. Sinto a grandeza do ser-educador, revelada por vocês, nos nossos momentos de socializações de experiências, do nosso aprender na escuta atenta ao outro... na nossa reflexão... estudo... etc. Realmente, percebo que vocês, no fazer cotidiano da sala de aula, promovem esse estado de ser livre e criador nas situações didáticas planejadas e vivenciadas por vocês e seus alunos... nesse espaço que, mesmo planejado, acolhe o imprevisto, o inusitado, o inesperado, o novo: cria e é criador porque vazio... um abraço, espero vocês mais vezes por aqui... bjos. Jil

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Elaine
lane.01@terra.com.br

A abordagem comunicativa veio para renovar os métodos de ensino, tirando o professor da posição de semideus e colocando-o como mediador, que deve trabalhar de forma a tornar o seu aluno um sujeito ativo no processo da aprendizagem.

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Jilvania Lima
jilvanials@ucsal.br

Elaine,

Acredito que esse comentário se refere a um outro texto. Mas, o mais importante é vê-la por aqui.

Obrigada. E um abraço fraterno, Jil.

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