UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO – MESTRADO

 

Dissertação:  PRÁTICAS DOCENTES COM AMBIENTES BASEADOS EM WEBSITES: UMA POSSIBILIDADE DE ENSINO

 

Mestranda: ELIANE MARIA BALCEVICZ GROTTO

Orientador: Prof. Dr. Eduardo Adolfo Terrazzan

 

Parecerista: Profª Drª Maria Helena Silveira Bonilla – FACED/UFBA

 

PARECER

 

Participei da banca de qualificação do projeto de dissertação de Eliane. Percebo que acatou muitas das sugestões da banca, redirecionando a pesquisa. Optou por fazer uma análise dos ambientes virtuais de aprendizagem que estão sendo utilizados por escolas de ensino fundamental e médio.

 

Muitas questões postas no trabalho de Eliane instigam o debate. Vou pontuar algumas.

 

1.      Sobre a intenção da pesquisa, Eliane se propôs identificar as REAIS possibilidades e contribuições dos ambientes virtuais de aprendizagem para a prática pedagógica, procurando verificar o que este recurso tecnológico traz REALMENTE de novo em relação aos materiais de ensino já utilizados ou em uso (p. 15).

Eliane deixa aqui implícita a idéia de que existe UMA contribuição verdadeira. No entanto, à p. 65, ela contradiz essa idéia, dizendo que “uma pesquisa é sempre, de alguma forma, um relato de longa viagem empreendida por um sujeito, cujo olhar vasculha lugares, muitas vezes, já visitados. Nada de absolutamente original, portanto, mas um modo diferente de olhar e pensar determinada realidade, a partir de uma experiência e de uma apropriação do conhecimento”. Diz mais: da necessidade de considerar a subjetividade dos sujeitos, compreender resultados individualizados e narrativos, ter como propósito a compreensão e buscar retratar as concepções dos entrevistados. Também à p. 15, apresenta os objetivos da pesquisa, falando da análise do contexto, da viabilidade de ensino, de subsídios... Se estes foram os objetivos e a postura para a análise, pergunto: como é possível identificar REAIS possibilidades e contribuições? Penso que o que é possível verificar são as possibilidades e contribuições que o uso dos ambientes trazem para os contextos analisados, a partir da ação daqueles sujeitos específicos, e a partir do olhar e da análise da pesquisadora Eliane. Em outros contextos, com outros sujeitos, as possibilidades e contribuições poderiam ser completamente diferentes. Ou não?

 

2.      Eliane, à p. 20, fala da importância das redes para romper os muros da escola, estabelecer outras formas de comunicação, abrir-se para a aprendizagem colaborativa, interagir com outras culturas. No entanto, senti falta de uma exploração mais consistente do conceito de rede, articulando uma perspectiva de conhecimento como rede;

3.      Também senti falta de uma exploração do conceito de comunidade de aprendizagem.  Às p. 25 e 26, quando fala dos canais de comunicação: e-mail, lista de discussão, chats, fórum (senti falta dos blogs), traz a perspectiva das relações horizontais que abrem espaço para a auto-organização, para o movimento de constituição a partir de dentro, mas não relaciona com a perspectiva das comunidades.  Inclusive, o termo aparece várias vezes, requisitando o conceito, como é o caso da p. 20, quando fala da importância de os alunos levarem as discussões feitas durante as aulas para a comunidade virtual. E aí eu pergunto, o inverso também não é importante? Também o conceito é requisitado às p. 81 e 84, quando analisa o trabalho desenvolvido nas escolas. Como está posto, ficou apenas em nível de relato.

 

4.      À p. 26, quando fala do fórum, diz que o docente deve delimitar os perímetros da discussão para facilitar a organização dos itens que serão abordados na mesma. Por que o docente? O aluno não pode propor um fórum? Você colocou o professor no centro do processo. Quando trabalhamos em rede, as centralidades são instáveis. O que acontece é que a tendência é transpor o modelo de aula presencial que adotamos nas escolas para o meio digital, sem pensarmos que ali está presente outra lógica, outra linguagem.

 

5.      Hipertextualidade (p. 35) – Ao falar das páginas web, fala dos links que apontam para outras páginas, dos caminhos que o navegador pode escolher, mas que apesar de todos os sentidos que o navegador pode atribuir ao que vai acessando, “o ambiente permanece como estava, sem que a passagem desse internauta deixe qualquer marca”.

Realmente, essa ainda é a característica das páginas web: uma espécie de transposição do livro, do formato impresso para o formato digital, com a apresentação de links, mas sem nenhuma disponibilidade dos canais de comunicação que permitam a intervenção/participação/produção do navegador. Efetivamente, não é possibilitado ao “leitor” deixar a sua marca, intervir no conteúdo da mensagem que ali é veiculada.

Isso é característico do estágio de uso dessas tecnologias em que nos encontramos, ou seja, a tentativa de configurar o digital ao formato da linguagem escrita, em suporte impresso, ou seja, uma subutilização das características e possibilidades do digital (a articulação entre hipertextualidade, interatividade e virtualidade).

E Eliane aponta isso à p. 36, quando diz que “a combinação de ambientes ricos em informações e ferramentas para o debate entre os participantes pode motivar ambiente fértil para a construção do conhecimento”.

Faltou justamente Eliane explorar as características do hipertexto e fazer as articulações com os demais conceitos.

 

6.      Ainda, à p. 34, Eliane fala de “ambiente padrão”. Gostaria que explicasse o que está entendo por ambiente padrão.

 

7.      Talvez decorra dessa subutilização o fato de nas escolas os professores dizerem que “Internet é para fazer pesquisa”. Eliane diz, à p. 66, que “a Internet é utilizada como fonte de informações, seja pelos alunos, de forma solitária, individual ou com auxílio do professor da disciplina de informática. Os professores das disciplinas do currículo se limitam, muitas vezes, em apenas encaminhar o assunto a ser pesquisado”.

Problemático tanto o conceito de pesquisa que perpassa a escola, quanto o uso das tecnologias, apenas com essa finalidade.

 

8.      Eliane, à p. 22, diz que a comunicação num ambiente virtual NÃO possui características extralingüísticas, como expressões faciais e corporais, que somente a língua escrita é usada como linguagem expressiva deste ambiente. Para tanto, apóia-se num texto de Fagundes e Axt, de 1992. Naquela época, isso era a realidade. Hoje não mais. As tecnologias evoluem com muita rapidez. Temos webcam, microfone, filmadoras, que permitem a comunicação utilizando som e imagem. Com certeza, a escrita ainda é a linguagem mais utilizada, mas cada vez mais estamos utilizando outras linguagens. Portanto, a negação não se sustenta.

 

9.      Sobre o conceito de interatividade – p. 27 a 37. Eliane inicia o tópico falando do contexto em que surge o termo, como uma crítica aos meios e tecnologias de comunicação unidirecionais. Segue fazendo uma crítica à banalização com que o termo é utilizado atualmente, apontando a necessidade de aprofundamento dos estudos a respeito do mesmo. Efetivamente, o conceito de interatividade vem sendo abordado sob diferentes perspectivas, uns condicionando-o a um tipo específico de interação – a interação homem-máquina, inclusive classificando diferentes formas de interação (mútua, reativa...); outros extrapolando essa perspectiva.

Eliane não chega a explicitar isso, e sim afirma, à p. 28, que os exemplos que utiliza para criticar a banalização do conceito são efetivamente exemplos de interatividade. Não fica claro, portanto, se está criticando ou reforçando esse senso comum a respeito do conceito.

No entanto, no decorrer do trabalho faz críticas à interatividade, justamente porque está entendendo interatividade como interação homem-máquina, principalmente quando diz que interatividade DEVERIA ser mais do que “apontar e clicar” (p.32), e aqui está confundindo interatividade com hipertextualidade (embora, enquanto conceitos, estejam articulados, não são a mesma coisa); ou quando diz que se pode cair na tentação de achar que a tal “conversação” homem-máquina é suficiente para o aprendizado (p.33).

Depois disso passa a tratar da questão da interação, sem explicitar a relação entre interação e interatividade; apenas deixa implícito que está tomando interação e interatividade como sinônimos. No entanto, interação e interatividade possuem origens diferentes. Interação é um conceito bem mais antigo que interatividade, constitui-se e é utilizado em diversos campos do saber e pode ser entendido como uma ação recíproca entre dois ou mais seres e/ou objetos.

Já o conceito de interatividade, mais atual, surge num contexto específico, o da comunicação. Considero que o conceito mais bem fundamentado e articulado que temos hoje é aquele dado por Marco Silva[1], que se fundamenta em Arlindo Machado[2]. Silva entende interatividade como a

disponibilização consciente de um mais comunicacional de modo expressivamente complexo, ao mesmo tempo atentando para as interações existentes e promovendo mais e melhores interações – seja entre usuários e tecnologias digitais ou analógicas, seja nas relações “presenciais” ou “virtuais” entre seres humanos (Silva, 2000, p.20).

Ou seja, para que um objeto, seja ele uma obra de arte ou um equipamento possa ser considerado interativo, ele deverá estar “imbuído de uma concepção que contemple complexidade, multiplicidade, não-linearidade, bidirecionalidade, potencialidade, permutabilidade (combinatória), imprevisibilidade, etc., permitindo ao usuário-interlocutor-fruidor a liberdade de participação, de intervenção e de criação” (p. 105). Desta forma, Silva acredita que os conceitos de interação e interatividade estão implicados, mas que não podem ser considerados como sinônimos.

Eliane, ao tratar da interação, detém-se nas perspectivas de construção do conhecimento e desenvolvimento cognitivo, fundamentando-se em Piaget e Vygotsky. Então, à p. 32, resgata a questão da comunicação, mas não explicita qual a relação que estabelece entre desenvolvimento cognitivo e comunicação.

 

10.  Sobre a simulação – p. 37 a 41. A simulação se constitui hoje num paradigma sobre o qual está embasada boa parte da pesquisa científica de ponta, o que implica uma revolução na forma de fazer ciência e de concebê-la, isto porque na perspectiva desse paradigma, o pesquisador não descobre como as coisas são indagando no real, e sim constrói modelos e a partir deles simula certos fenômenos comprovando seu grau de ajuste ao que conhece da realidade. Aprender ciências deve ser, portanto, uma tarefa de comparar e diferenciar modelos, e não de adquirir saberes absolutos e verdadeiros.

No entanto, a escola continua trabalhando com saberes absolutos e verdadeiros que os alunos precisam adquirir. Então, para transmitir esses saberes, ou complementar aspectos que não consegue transmitir pelas tradicionais exposições, faz uso dos chamados programas educativos (vídeos, softwares). Via de regra, esses programas procuram “pedagogizar” as temáticas abordadas, ou seja, formatá-las, enquadrá-las no modelo tradicional de aula, o que mata as características da linguagem em que está sendo produzido. É o que tem acontecido com as “simulações” que se dizem educativas. Restringem-se a animações ou demonstrações simplificadas dos fenômenos.

É sobre esse tipo de programa que Eliane se detém quando analisa a questão da simulação virtual. Fala da participação desses programas como auxiliares na formação de conceitos, do enriquecimento que trazem à dinâmica da aprendizagem, em virtude do movimento, que permite uma mudança no processo de representação. E aqui está o problema: continuamos utilizando apenas a lógica da representação (mantém a aderência ao real, perspectiva da reprodução – sujeito, imagem e objeto estão bem delimitados).

A simulação envolve outra lógica: a da figuração (desliga-se do real – sujeito, imagem e objeto hibridizam-se)

Isso não significa dizer que a representação não é importante. Ao contrário, precisamos trabalhar com todas as lógicas, todas as linguagens, todas as tecnologias que estão à disposição. Agora, não podemos resumir simulação apenas à adição de movimento ao que é estático, como um complemento ao que está posto. É necessário pensar a simulação como uma outra forma de pensar, fazer e se relacionar com o conhecimento, que não exclui as demais formas.

 

11.  Da mesma forma, à p. 55, Eliane coloca os ambientes virtuais como complemento do ensino presencial. A idéia de complemento carrega consigo a idéia de falta, de incompletude. Os ambientes virtuais não podem ser apenas isso, embora seja justamente para isso que estão sendo utilizados. Do meu ponto de vista, e do nosso grupo de pesquisa na UFBA, os ambientes virtuais podem ser utilizados para desencadear dinâmicas completamente novas, e não apenas reforçar ou complementar dinâmicas já caducas.  E aqui então eu retomo um ponto apresentado por Eliane às p. 19, quando diz que a educação toma novos rumos com a utilização dos computadores como recursos de apoio em aulas tradicionais. Como é possível a educação tomar novos rumos quando utilizamos os computadores e a Internet como recurso de apoio em aulas tradicionais? Não estaremos reforçando as aulas tradicionais? Cabe também perguntar se Eliane considera importante reforçar ambientes tradicionais, já que à p. 20 diz que os ambientes de ensino tradicionais ficam mais ricos com a utilização da internet.

 

12.  À p. 53, Eliane diz que na interpretação do senso comum o virtual contrapõe-se ao real, mas que, efetivamente, o virtual se contrapõe ao atual. Isso está bem posto. Só faltou dizer qual a relação entre o virtual e o real e o que entende por atual. Traz um exemplo, mas não conceitua nem relaciona os termos. Gostaria de ouvir um pouco sobre essas relações.

 

13.  Senti falta de uma análise mais consistente das falas dos professores, afinal, à p. 65, Eliane diz que tinha como preocupação básica retratar as concepções dos entrevistados. Um exemplo está posto à p. 100, quando a prof. fala sobre o lixo e a falta de controle da internet. Essa postura é muito comum e necessita de análise, uma vez que o lixo informacional não está apenas na Internet, está em todos os meios de comunicação. Qual a postura da escola frente a isso? O controle resolve a questão? Como controlar uma rede que se organiza horizontalmente? Impossível. Então, é necessário pensar outras estratégias...

 

14.  À p. 70 Eliane fala dos imprevistos que encontrou quando chegou às escolas – falta de manutenção, precariedade das instalações, etc... Será que é possível encarar isso como imprevisto? Não é esse o dia-a-dia das escolas? Essa realidade precisa ser considerada na análise feita. A infra-estrutura da maioria das escolas é problemática, são poucas as pessoas que conseguem atuar numa perspectiva de resolver os problemas de ordem técnica que surgem constantemente. Não é possível considerar esses fatores como desvinculados do ato pedagógico.

 

15.  Na análise da questão 3, p. 80 a 95, fala da postura do professor frente a esses ambientes (p. 84). Senti falta de uma análise da postura dos alunos. Eles ficam restritos aos sites indicados pelo professor? Ou utilizam as linhas de fuga, acessando outros sites, sem que o professor perceba? No caso de ficarem restritos à indicação do professor, não há um bloqueio das potencialidades do hipertexto? Parece que a restrição é tão acentuada, que o professor necessita testar o acesso antes da aula, para não correr o risco de chegar ao laboratório e não ter o que fazer. E quando isso acontece, qual a estratégia adotada pelo professor? E quando o ambiente é pobre, como o aluno reage?

 

16.  Não é daí que decorre o fato de os alunos continuarem preferindo que o professor faça esquemas no quadro? (p. 78, 86). Eliane analisa a situação a partir das limitações dos ambientes. Realmente, alguns ambientes são chatos demais. Mesmo assim, senti falta de uma análise da cultura dos alunos. Os alunos estão impregnados da lógica da aula expositiva, é um ambiente que eles conhecem bem, sentem-se seguros copiando as anotações feitas no quadro, pois sabem que é isso que a professora vai cobrar na prova, etc, etc. Quando vêem-se diante de outro ambiente, como se sentem? Poderia ter explorado um pouco essa perspectiva.

 

17.  À p. 91, Eliane transcreve a fala de um professor: “quando utilizo a Internet, o ambiente virtual, não está inovando apenas a minha prática pedagógica, estou também possibilitando aos alunos o acesso às informações de forma rápida e contribuindo para a familiarização dos alunos na cultura digital”. Pergunto: que inovação é essa? Não se mantém basicamente o mesmo modelo pedagógico, o do consumo de informações? Qual a produção desses professores, alunos e escola? Eles não constroem ambientes, apenas usam ambientes construídos por outros. É importante utiliza-los? É. Alguns são interessantes (outros não). Mas não basta. É importante incluir esses ambientes em ambientes próprios, que possibilitem a produção coletiva, a comunicação, a participação, afinal, como diz um professor (p. 96) “encontrar um ambiente que contemple uma interação intensa não é muito fácil”.

 

  1. Quanto à estrutura: Eliane adotou uma estrutura para a construção da dissertação, que, sob o meu ponto de vista, fragilizou o trabalho como um todo. A opção por separar em capítulos distintos a perspectiva teórica (capítulo 2 - revisão de literatura) e os dados coletados (capítulo 3 – metodologia e procedimentos da pesquisa), e ainda, neste último capítulo, separar o relato das práticas escolares dos “comentários da pesquisadora”, não permitiram que ela pudesse construir uma análise mais crítica do fenômeno estudado, articulando os fundamentos teóricos com os depoimentos dos sujeitos da pesquisa, e ainda com a sua própria análise. Em alguns momentos ela demonstra a necessidade de fundamentar o que afirma, mas não consegue fazer isso porque já falou disso tudo no capítulo anterior. Um exemplo está na p. 98, quando acaba apenas reproduzindo novamente o mesmo parágrafo já explicitado na revisão da literatura, p. 21. E na conclusão, p. 103, volta a reproduzir o mesmo parágrafo.

Na minha opinião, o trabalho ficou fragmentado.

Sugiro ainda a troca do título do capítulo 2, porque entendo que efetivamente não foi feita uma revisão de literatura. Foram apontados alguns referenciais teóricos que você considerou importantes.

Também, os títulos e subtítulos do capítulo 3, no sumário, não expressam os sentidos das discussões feitas em cada item. Um título como “questão n. 1” nada diz sobre o seu conteúdo. Já no corpo do trabalho, Eliane não traz esse título, apresentando em seu lugar a própria questão a respeito da qual vai discorrer. Faz-se necessário uma adequação entre o sumário e o corpo do trabalho. Sugiro ainda que Eliane coloque um título significativo para cada uma dessas questões, deixando para apresentar a questão no corpo do texto.

Sugiro ainda que seja feita uma revisão da escrita, uma vez que a dissertação apresenta alguns problemas de pontuação e concordância.

 

 

Santa Maria, 14 de maio de 2004

 

 

Maria Helena Silveira Bonilla

Doutora em Educação

FACED/UFBA



[1] SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2000.

[2] MACHADO, Arlindo. Pré-cinema & pós-cinema. Campinas – SP: Papirus, 1997.