MESTRADO
EM ENSINO, FILOSOFIA E HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS
DISSERTAÇÃO
DE ILMA CARVALHO DE BARROS NASCIMENTO
ORIGEM, DESENVOLVIMENTO E
UTILIZAÇÕES DA CURVA CATENÁRIA:
implicações epistemológicas
e utilizações no ensino da matemática
Parecerista:
Profa. Dra. Maria Helena Silveira Bonilla – Faced/UFBA
A dissertação está muito bem estruturada; Ilma utiliza uma linguagem
clara e fluente, articulando com muita propriedade conceitos, exemplos, idéias,
aplicações, sem tornar o texto pesado, ou fragmentado, o que provoca no leitor
o desejo de continuar imerso no fluxo da argumentação que ela construiu.
O trabalho de Ilma é um belo exemplo de pesquisa e se constitui numa importante referência para a Ciência e a Educação no Brasil. Historicamente, o Ensino de Ciências e Matemática apresenta-se de forma mecanicista, fragmentado, descontextualizado, baseado em fórmulas, o que gera no aluno medo e rejeição à disciplina, pois ele não consegue entendê-la. Esses problemas vêm se prolongando há vários anos e contam apenas com tentativas isoladas de solução. Ilma supera essa perspectiva, apresentando um belo trabalho sobre a catenária, mas mais que isso, evidencia as possibilidades de articulação entre a história, a filosofia, as aplicações e o ensino de Ciências e Matemática, desmistificando algumas idéias que perpassam os currículos instituídos, tais como “a exatidão das ciências”, a linearidade da construção do conhecimento científico, a ciência como produto, a visão internalista do ensino.
É justamente por constituir-se um bom referencial para a Educação
Matemática e o Ensino de Ciências, que Ilma poderia ter aprofundado um pouco
mais a dimensão da Educação em seu trabalho. À p. 15 afirma a existência de
pouquíssimos estudos em português sobre a catenária, e menos ainda no Brasil. À
p. 205 afirma que a catenária é quase completamente negligenciada na educação
científica dos estudantes brasileiros.
Senti falta de uma explicitação desses pouquíssimos estudos que existem
no país, bem como um mapeamento dos documentos base da educação brasileira,
tais como PCN, livros didáticos e paradidáticos, currículos dos cursos de
graduação. Gostaria de saber se Ilma teve contato com essas fontes e o que elas
dispõem sobre o tema.
Considero importante apontar algumas atividades que podem ser
desenvolvidas por professores nos diversos níveis de ensino, e Ilma fez isso
muito bem, mas também é muito importante, justamente por não ser um tema
conhecido no Brasil, que sejam apontadas e analisados as referências que temos
(se é que as temos), a sua imbricação com a história e a filosofia da ciência,
inclusive os problemas de identificação/confusão entre a catenária e a
parábola, como foi feito à página 174, a respeito do livro didático de
Matemática da 8ª série do ensino fundamental.
No capítulo 6 Ilma poderia ter aprofundado os estudos nessa direção, de
forma que a dimensão “ensino” de seu trabalho tivesse uma maior consistência, a
exemplo do que foi feito com a dimensão histórica e epistemológica.
Senti falta também de uma perspectiva mais pessoal, ou seja, qual a relação de Ilma com o trabalho, sua história, o interesse pelo tema, o desencadeador da pesquisa. Gostaria que Ilma falasse um pouquinho sobre a sua relação com este tema.
Em linhas gerais,
o trabalho de Ilma nos faz ver e pensar sobre algumas das lacunas existentes na
educação brasileira, constituindo-se numa produção que busca suprir algumas
dessas lacunas. É um privilégio estar participando da banca que vai certificar
o trabalho. Parabéns!!!!
Salvador, 20 de abril de 2004
Maria Helena S. Bonilla