ESCOLA APRENDENTE desafios e possibilidades postos no contexto da Sociedade do Conhecimento
RESUMO
Considerando
que a escola atual está centrada na racionalidade própria da escrita, não
tendo conseguido abranger a racionalidade da oralidade, nem a complexidade do
mundo atual e incorporar as novas formas de organização, de pensamento e de
construção do conhecimento que estão emergindo com as tecnologias da informação
e comunicação, não consegue entrar em sintonia com os jovens-alunos que
encontram-se imersos nessa nova forma de pensar, nessa nova ecologia. Frente a
isso, esta pesquisa investigou a dinâmica de interfaceamento de linguagens,
tecnologias e racionalidades mais em uso em escolas conectadas à rede Internet,
trazendo os limites e possibilidades postos no contexto da sociedade contemporânea
para a estruturação de novas territorialidades, de forma a diminuir a distância
existente entre a vida de dentro e de fora da escola e a constituir uma escola
aprendente.
Para
tanto, com base nos aportes da pesquisa etnográfica e da pesquisa-ação,
procuro, por um lado, compreender os processos políticos e pedagógicos de
inserção e uso da Internet na rede de escolas públicas portuguesas e, por
outro, compreender as dinâmicas de uma turma de 6a série de uma escola privada
do município de Ijuí – RS, cujos professores e alunos têm acesso à rede,
as relações que professores e alunos estabelecem com as diferentes linguagens,
tecnologias e racionalidades que ali estão em uso, fazer o mapeamento das
intensidades e sentidos dados às concepções que esses atores/autores têm
sobre essas dinâmicas. A partir dessa cartografia procuro, em conjunto com os
professores, questionar as concepções instituídas e construir oportunidades
para a elaboração de ações e de sentidos outros a essas concepções.
Analisando as ações propostas e executadas, tanto no Brasil quanto em
Portugal, procuro explicitar o diferencial que as novas dinâmicas apresentam,
em relação às anteriores e, em que medida elas sinalizam para a estruturação
de novos territórios educativos.
Os resultados do trabalho mostram que colocar as tecnologias nas escolas, conectando-as à rede Internet, não é suficiente para que transformações aconteçam nas práticas pedagógicas e a escola efetivamente se constitua num ponto produtor de conhecimentos, cultura e informações. A articulação complexa das tecnologias com outros fatores é que cria um caldo cultural onde as características dos jovens contemporâneos, as proposições dos professores, o interfaceamento das diferentes linguagens, tecnologias e racionalidades têm espaço para emergir, provocar a desterritorialização das práticas instituídas e estruturar outras territorialidades.
Compõem
esses fatores a forma como a escola se organiza, tanto para o desenvolvimento de
projetos envolvendo as tecnologias, como para a gestão de tempos e espaços dos
professores, e para a proposição de dinâmicas de formação permanente de
todos os membros da comunidade; a interação e colaboração entre professores,
articuladores e a equipe de gestão da escola, tanto no sentido de estudar,
compreender o significado social dessas tecnologias, seus princípios, suas
potencialidades, as racionalidades que as perpassam, quanto no de propor ações
e dinâmicas pedagógicas que levem em consideração suas características; as
políticas públicas de financiamento e implementação de programas e projetos
para a área de educação e tecnologias e para a formação inicial e
continuada dos professores.
Portanto,
na escola, conforme for a articulação das tecnologias com os demais fatores
políticos que ali se fazem presentes, se constituirão ou em instrumentos que
mantêm o mesmo modelo de educação já instituído, ou em elementos
estruturantes de territórios educativos abertos, dinâmicos, característicos
de uma escola aprendente. Isso significa que as tecnologias necessitam ser
percebidas, não como um dado absoluto, como um fator técnico, e sim como um
fator político, pela forma como são concebidas, produzidas e utilizadas. Tomá-las
como fator político, como estratégia de conhecimento e ação, significa
inseri-las no contexto escolar e também perceber as concepções e condições
que levaram a essa inserção, bem como as escolhas e o conjunto de medidas que
as acompanham.
No caso das concepções, da vontade e da ação política adotadas encaminharem para a estruturação de outros territórios educativos, desenvolvem-se redes de colaboração, tanto dentro das escolas, quanto entre as escolas e o contexto externo. Redes que potencializam a troca, a problematização, o estabelecimento de relações, a ressignificação de conceitos e temáticas, desencadeiam processos de produção e socialização de conhecimentos, de aproximação entre alunos e professores, possibilitam outras formas de comunicação, rompem com os programas fechados e com as barreiras que separam a escola do contexto externo, geram um movimento onde os territórios educativos se reconfiguram e os processos de aprendizagem se alargam, envolvendo todos os espaços e sujeitos da instituição.
Veja também o livro Escola Aprendente: para além da Sociedade da Informação