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O
que é (e o que não é) um seminário
Márcia
Pontes
Profa. Assistente da FACED/UFBA
A
cada semestre os seminários se repetem como os dias
e as noites. Alguns são bons, ótimos e até
brilhantes. Entretanto, alguns seminários deixam
tanto a desejar que a sensação que se
tem no final, é que houve um enorme desperdício de
tempo tanto dos apresentadores como da platéia.
Numa tentativa de ajudar os alunos das minhas
disciplinas a se prepararem melhor para este evento,
tenho apresentado algumas sugestões:
DEFINIÇÃO
DE SEMINÁRIO
Segundo Juan Bordenave 1: "A palavra
seminário tem a mesma etimologia de semente, o que
parece indicar que o seminário deve ser uma
ocasião de semear idéias ou de favorecer a sua
germinação". Talvez seja por esta razão que
nas Universidades o seminário constitui, em geral,
não uma ocasião de mera informação, mas uma
fonte de pesquisas e de procura de novas soluções
para os
problemas.
Basicamente o seminário é um grupo de pessoas que
se reúnem com o propósito de estudar um tema sob a
direção de um professor ou autoridade na matéria.
A sua finalidade é:
-
identificar
problemas
-
examinar
os seus diversos aspectos
-
levantar
informações pertinentes
-
apresentar
os resultados aos demais membros do grupo
-
receber
comentários, críticas e sugestões dos
companheiros e do professor
No seminário os alunos são os agentes da sua
própria aprendizagem.
PARTICIPAÇÃO
DOS MEMBROS DO GRUPO
Todos os membros devem conhecer tudo que
for estudado/pesquisado sobre o tema. A
fragmentação do tema em partes não permite uma
compreensão adequada do mesmo e fica visível
durante a apresentação que, nesses casos, é
mecânica e artificial, além de criar um problema
prático de deixar uma lacuna se um dos
membros não comparecer no dia da apresentação.
Em
princípio todos deveriam falar nas apresentações.
Mas se um dos membros tem maiores dificuldades em
relação a falar em público (timidez, dificuldade
de expressão) é melhor que ajude o grupo em
tarefas de preparação, ou fique por exemplo, com a
apresentação do roteiro.
Os temas podem e devem ser divididos pelos membros,
para efeito de apresentação, mas cada um deve dar
conta de um bloco completo de informações
devendo-se evitar a forma de jogral onde cada um diz
uma frase.
FONTES
DE PESQUISA/ESTUDO
O professor tem o dever de orientar os alunos quanto
aos tópicos e a uma bibliografia básica, inclusive
onde o aluno poderá encontrar essa bibliografia.
Por sua vez, os alunos devem tomar iniciativa de
buscar outras fontes, ler jornais e revistas,
visitar home pages, visitar instituições, fazer
entrevistas, ou seja, pensar em formas e meios de
enriquecer o seu estudo do tema, e não ficar
limitado a apenas executar as sugestões do
professor.
O TEMPO
O professor deve organizar o seminário com bastante
antecedência, afinal a sua disciplina não é a
única, e os alunos não devem deixar para a
véspera a preparação do mesmo. Outra questão
relacionada com o tempo é a necessidade de planejar
a apresentação dentro do tempo estabelecido
previamente. É constrangedor ver alunos falando
para uma sala vazia porque a aula acabou
e ficaram apenas o professor e alguns colegas
olhando para o relógio. Ou então, depois de alguns
minutos de apresentação o grupo informar que a
apresentação acabou deixando a impressão de que o
tema não foi suficientemente estudado. É bom
lembrar também, no caso de duas ou mais
apresentações na mesma aula, que o
grupo que vem a seguir deve ter o seu tempo
respeitado.
Outra questão relacionada com tempo é a
distribuição dos tópicos. Alguns grupos tendem a
se estender demais num determinado item do tema,
faltando tempo para outros, às vezes mais
relevantes. Uma técnica aconselhável para controle
do tempo de apresentação é ensaiá-la
cronometrando parte por parte.
A APRESENTAÇÃO
No dia da apresentação o grupo deve chegar um pouco mais cedo
para preparar a sala, colocar os cartazes, escrever no quadro,
checar o vídeo ou o retroprojetor. Afinal, no tempo dado pelo
professor não estão incluídos esses preparativos.
Todos os membros devem se colocar de frente para a
turma, de forma que não haja dúvida sobre quem são eles. A
apresentação deve se iniciar com a identificação (nomes) dos
componentes, o nome do tema, que deve também estar escrito no
quadro ou num cartaz, assim como o roteiro do seminário. Se o
grupo enfrentou alguma situação especial de dificuldade, ou de
qualquer natureza deve relatá-la brevemente. O roteiro deve ser
respeitado. Durante a apresentação não se deve nunca,
jamais:
-
Fazer
leitura de texto. leitura de textos é a maneira mais segura
de entediar a platéia e garantir a desatenção. Ninguém
ouve textos lidos, a não ser frases ou parágrafos curtos e
significativos.
-
Apresentar
dados numéricos, estatísticos, classificações ou
expressões desconhecidas sem o apoio visual do quadro de giz,
cartaz, ou transparência. Este tipo de informação, quando
apresentada apenas oralmente, tende a ser imediatamente
esquecida ou confundida.
-
Apresentar
cartazes ou transparências em letras muito pequenas e
ilegíveis. Recomendas-se para transparências a fonte Arial,
tamanho mínimo 14, em negrito, e os cartazes podem ser
testados colocando-se numa distância correspondente ao fundo
da sala de aula. Não se deve colocar textos longos nesses
dois recursos visuais. Não é essa a sua função.
-
declarar
para o grupo que está nervoso não ajuda, piora a situação.
Procurar se envolver psicologicamente no tema apresentado e
pensar que seus colegas não têm performances muito melhores
ajudam mais do que ficar repetindo "estou tão
nervoso..."
-
Decorar
a fala, o texto, é um recurso que chega a expor o
apresentador ao ridículo. A não ser que ele tenha uma
capacidade teatral de parecer natural ao repetir a decoreba. O
ideal é que o aluno compreenda as idéias estudadas e as
apresente numa fala espontânea.
-
Substituir
a apresentação por um vídeo ou um palestrante convidado
não é correto. A apresentação deve ser um produto do
trabalho do grupo e não a apropriação de um trabalho feito
por outros.
-
Os
vídeos ou palestrantes devem ocupar apenas uma parte do
tempo, quando este for suficiente.
-
Não
invadir o tema de outro grupo. Às vezes um grupo ignora que
outro grupo deverá falar sobre um tema correlato e antecipa
as informações causando problemas.
ANTES E DEPOIS DA APRESENTAÇÃO
-
Avisar
ao professor para fazer a reserva de vídeo, retroprojetor,
data-show ou auditório com antecedência. Caso contrário,
corre-se o risco de não conseguir o equipamento.
-
Se
quiser uma avaliação mais detalhada que a nota, perguntar ao
professor o que ele achou da apresentação em público ou em
particular.
ALGUMAS SUGESTÕES:
-
Selecionar
informações relevantes sobre o tema. Não se pode
gastar tempo com detalhes sem importância ou informações
que não têm nenhuma utilidade na compreensão do assunto.
-
Assegurar-se
da correção das informações. O grupo pode se expor
ao constrangimento de ser corrigido pelo professor ou até
mesmo pelos colegas ao passar informações equivocadas.
-
As
dramatizações, danças, expressões corporais e outros
recursos não convencionais enriquecem a apresentação e
garantem a atenção da turma. Entretanto, é importante
lembrar, que a forma não pode minimizar ou ignorar o
conteúdo.
-
Reservar
sempre um tempo no final da apresentação para perguntas e
comentários. Vivemos numa época em que a interação e o
diálogo são indispensáveis.
1
Estratégia de Ensino Aprendizagem. Petrópolis:
Vozes, 1986.
2
Gerir, v. 6, n.14, p.13, julho/2000.
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